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BIOGRAFIA
1975 - Com cinco anos de idade foi com sua mãe, Rute, morar no
interior do Rio de Janeiro (Coroa Grande). Teve uma infância muito
rica, cercado de muito amor, amigos, natureza, frutas colhidas no
pé.
No primário, conheci as obras de Monteiro Lobato, onde a fantasia e
a natureza andam juntas. Apaixonei-me pelas peças da Maria Clara
Machado, quando li pela primeira vez a peça: “Pluft, o Fantasminha”
logo me identifiquei com o Pluft, pois, como ele também tinha medo
de crescer, medo de gente, pelo menos naquela época.
1980 - Estudei no
Colégio Patronato São José (Colégio de Pe.-Itaguaí-RJ), onde aprendi
muitas coisas importantes como: disciplina, respeito,dividir... Lá
no Colégio o que mais gostava de fazer era brincar na marcenaria.
Aprendi a fazer carrinhos de madeira, piões (brinquedos que eram
vendidos no bazar do colégio). Mesmo nas dificuldades do
caminho, aprendi desde cedo com meus pais, Rute e Jorge, a
agradecer, a acreditar, nunca desistir de um sonho, por mais utópico
que seja. Tenho uma base muito firme de união, amor e respeito com
minha família.
1984 - Acredito no que
chamo de: “pequenas mágicas da vida”, foi assim que através do:
Jorge Henrique Mascarenhas, conhecendo um pouco da minha historia de
vida e do carinho pela Maria Clara Machado, me levou até o Teatro
Tablado, e me apresentou a “Clara”, como era carinhosamente chamada,
acho que a Clara viu brilhar em meus olhos de criança, a magia, o
faz de conta, a vontade de aprender. Logo já estava junto com
o Jorge Henrique (diretor de palco) ajudando a montar o cenário,
arrumando as coxias, os adereços, conferindo as cordas no ordimento,
abrindo e fechando as cortinas. Foi assim que comecei a viver e
respirar arte, com a peça “O Dragão Verde” de Maria Clara Machado,
no teatro tablado em 1984. Uma das primeiras coisas que aprendi com
a Clara foi: “Teatro é 100%, suor, trabalho, estudar, ler
(muito), respeitar, ser disciplinado, observar. Foi olhando das
coxias, vendo o público aplaudindo, emocionado,
senti que era o que eu queria
fazer, ser Artista. Comecei como contra-regra, ajudando a montar
cenários, arrumar os adereços, limpando o palco, vendendo cartaz, os
programas das peças... Para mim era e continua sendo como um ritual,
ser um dos primeiros a chegar, ver as coisas acontecendo, a magia,
o faz-de-conta , público...
Ganhei uma bolsa de
estudos da Clara, passei a freqüentar as aulas de interpretação com
a Professora Cacá Mouthé. Trabalhei e estudei no Teatro Tablado de
1984 a 1988.
1989 – Voltei a São Paulo,
maior idade. Na mochila, carregava ainda muito medo, insegurança,
mas também a coragem, a força, a busca incessante, o grito na
garganta, a esperança, o amor e incentivo dos meus pais sempre
presente. A Clara dizendo: São Paulo era uma cidade grande, com
vários teatros, logo faria novas amizades e conquistaria outros
horizontes.
Eu enxergava São Paulo
exatamente como o Pluft: olhava para o imenso azul do mar, com medo,
mas curioso como uma criança, fui vencendo o medo, aos poucos fui
aprendendo que errar não era tão difícil assim, e foi
exatamente com meus erros e acertos que continuei essa minha busca
incansável pela arte, ou como diria o poeta: “a arte de sorrir, cada
vez que o mundo diz não”.
Aos poucos, comecei a
aprender a soltar essa voz, esse corpo, que fala, sente, que de
alguma forma quer fazer sua política, seu protesto, através da arte,
do meu trabalho social de informação e entretenimento que tenho
aprendido muito através de palestras, eventos, telegramas
animados, teatro para escolas, hospitais, empresas etc.
Foi através do palco que
aprendi a ser mais humano, com meus erros e acertos, mas com
minha perseverança, força, sonhos utópicos, porem verdadeiros,
espero que minha busca seja infinita e que eu continue a conquistar
sempre.
1990 – Na“Escala Produções
Artísticas” no Teatro Paiol (direção- José Roberto Caprarole e Paulo
Perez)onde eram apresentadas peças Infantis (musicais) de segunda a
segunda para escolas , e sábados e domingos aberto ao publico.
Foi no dia-a-dia teatral
que me lembrava muitas vezes de minha mestra e amiga Clara: o Teatro
também é a arte da repetição. Foi repetindo que aprendi, a me ouvir,
a ouvir o meu colega de cena, a observar o silencio, o público, a
respiração. É preciso matar o ego para entender isso, para poder
sentir, ser verdadeiro, se não soa falso..Você não engana uma
criança olhando-a nos olhos.
2000 - Com a “Cia
Andarilhos” tive oportunidades de conhecer outras realidades, vidas,
pessoas, conceitos, informações; entrei mais em contato com a
realidade, pois através desses espetáculos, peças, palestras, etc.,
faço meu trabalho social, político, informativo através do
entretenimento. Isso é uma dádiva, me sinto um privilegiado em fazer
o que gosto. Já me apresentei em lugares diversos tais como:
canaviais, plataformas (Petrobras), fazendas, bares, colégios,
faculdades, praças públicas, etc. Vivo momentos impares e assim a
vida tem me ensinado que respeitando o outro, vendo outras
realidades, participando de alguma forma de uma realidade que não é
a minha, aprendo e valorizo cada vez mais a palavra respeito, há
muito mais coisas em nossa volta... E mais uma vez agradeço ao
publico.
Em SP, a vida também
me presenteou com alguns mestres como: Gianni Ratto, no auge
dos seus 80 anos, quando fizemos “Morus e seu Carrasco” em 96, me
lembro que mesmo com o pé quebrado, não faltava um ensaio se quer e
o elenco fazia uma cadeirinha a dois e La subíamos com o Gianni
pelas escadas do Teatro Rute Escobar, um dia eu disse ao Gianni que
contaria para todo mundo que já peguei ele no colo, e aqui
estou eu contando.Assim como Gianni, a Clara, sabia que não estavam
ali por brincadeira e que teatro, não
é brincadeira, não é modismo, é trabalho, disciplina,
responsabilidade acima de tudo, o artista tem que saber o que esta
falando, fazendo, se não vira bagunça.
Em 1999, tive o prazer de
trabalhar com outro mestre: o diretor José Renato (fundador do
Teatro de arena em São
Paulo). O privilegio de poder
estar, mesmo que da coxia, observando, ouvindo, vendo como esses
mestres(a) regia sua orquestra, isso é impar, único. É preciso matar
o ego, ser humilde, para aprender a observar, ouvir, sentir,
respeitar, foi isso que aprendi e continuo a aprender com meus
mestres e meu trabalho!
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