BIOGRAFIA

 

 1970 - Nascido em São Paulo (Brasilândia), no dia 17 de  fevereiro de 1970, com o nome de Luis Maurício Souza Silva, aquariano,  incansável e persistente.

 

1975 - Com cinco anos de idade foi com sua mãe, Rute, morar no interior do Rio de Janeiro (Coroa Grande). Teve uma infância muito rica, cercado de muito amor, amigos, natureza, frutas colhidas no pé.

No primário, conheci as obras de Monteiro Lobato, onde a fantasia e a natureza andam juntas. Apaixonei-me pelas peças da Maria Clara Machado, quando li pela primeira vez a peça: “Pluft, o Fantasminha” logo me identifiquei com o Pluft, pois, como ele também tinha medo de crescer, medo de gente, pelo menos naquela época.

 

1980 - Estudei no  Colégio Patronato São José (Colégio de Pe.-Itaguaí-RJ), onde aprendi muitas coisas importantes como: disciplina, respeito,dividir... Lá no Colégio o que mais gostava de fazer era brincar na marcenaria. Aprendi a fazer carrinhos de madeira, piões (brinquedos que eram vendidos  no bazar do colégio). Mesmo nas dificuldades do caminho, aprendi desde cedo com meus pais, Rute e Jorge, a agradecer, a acreditar, nunca desistir de um sonho, por mais utópico  que seja. Tenho uma base muito firme de união, amor e respeito com minha família.

 

1984 - Acredito no que chamo de: “pequenas mágicas da vida”, foi assim que através do: Jorge Henrique Mascarenhas, conhecendo um pouco da minha historia de vida e do carinho pela Maria Clara Machado, me levou até o Teatro Tablado, e me apresentou a “Clara”, como era carinhosamente chamada, acho que a Clara viu brilhar em meus olhos de criança, a magia, o faz de conta, a  vontade de aprender. Logo já estava junto com o Jorge Henrique (diretor de palco) ajudando a montar o cenário, arrumando as coxias, os adereços, conferindo as cordas no ordimento, abrindo e fechando as cortinas. Foi assim que comecei a viver e respirar arte, com a peça “O Dragão Verde” de Maria Clara Machado, no teatro tablado em 1984. Uma das primeiras coisas que aprendi com a Clara foi: “Teatro é 100%, suor, trabalho, estudar,  ler (muito), respeitar, ser disciplinado, observar. Foi olhando das coxias, vendo o público aplaudindo, emocionado,  senti que era o que eu queria fazer, ser Artista. Comecei como contra-regra, ajudando a montar cenários, arrumar os adereços, limpando o palco, vendendo cartaz, os programas das peças... Para mim era e continua sendo como um ritual, ser um dos primeiros a chegar, ver as coisas acontecendo, a magia,  o faz-de-conta , público...

Ganhei uma bolsa de estudos da Clara, passei a freqüentar as aulas de interpretação com a Professora Cacá Mouthé. Trabalhei e estudei no Teatro Tablado de 1984 a 1988.

1989 – Voltei a São Paulo, maior idade. Na mochila, carregava ainda muito medo, insegurança, mas também a coragem, a força, a busca incessante, o grito na garganta, a esperança, o amor e incentivo dos meus pais sempre presente. A Clara dizendo: São Paulo era uma cidade grande, com vários teatros, logo faria novas amizades e conquistaria outros horizontes.

 Eu enxergava São Paulo exatamente como o Pluft: olhava para o imenso azul do mar, com medo, mas curioso como uma criança, fui vencendo o medo, aos poucos fui aprendendo que errar não era  tão difícil assim, e foi exatamente com meus erros e acertos que continuei essa minha busca incansável pela arte, ou como diria o poeta: “a arte de sorrir, cada vez que  o mundo diz não”.

 Aos poucos, comecei a aprender a soltar essa voz, esse corpo, que fala, sente, que de alguma forma quer fazer sua política, seu protesto, através da arte, do meu trabalho social de informação e entretenimento que tenho aprendido muito através  de palestras, eventos, telegramas animados, teatro para escolas, hospitais, empresas etc.

Foi através do palco que aprendi a ser mais humano, com meus erros  e acertos, mas com minha perseverança, força, sonhos utópicos, porem verdadeiros, espero que minha busca seja infinita e que eu continue a conquistar sempre.

1990 – Na“Escala Produções Artísticas” no Teatro Paiol (direção- José Roberto Caprarole e Paulo Perez)onde eram apresentadas peças Infantis (musicais) de segunda a segunda para escolas , e sábados  e domingos aberto ao publico.

Foi no dia-a-dia teatral que me lembrava muitas vezes de minha mestra e amiga Clara: o Teatro também é a arte da repetição. Foi repetindo que aprendi, a me ouvir, a ouvir o meu colega de cena, a observar o silencio, o público, a respiração. É preciso matar o ego para entender isso, para poder sentir, ser verdadeiro, se não soa falso..Você não engana uma criança olhando-a nos olhos.

2000 - Com a “Cia Andarilhos” tive oportunidades de conhecer outras realidades, vidas, pessoas, conceitos, informações; entrei mais em contato com  a realidade, pois através desses espetáculos, peças, palestras, etc., faço meu trabalho social, político, informativo através do entretenimento. Isso é uma dádiva, me sinto um privilegiado em fazer o que gosto. Já me apresentei em lugares diversos tais como: canaviais, plataformas (Petrobras), fazendas, bares, colégios, faculdades, praças públicas, etc. Vivo momentos impares e assim a vida tem me ensinado que respeitando o outro, vendo outras realidades, participando de alguma forma de uma realidade que não é a minha, aprendo e valorizo cada vez mais a palavra respeito, há muito mais coisas em nossa volta... E mais uma vez agradeço ao publico.

 Em SP,  a vida também  me presenteou com  alguns mestres como: Gianni Ratto, no auge dos seus 80 anos, quando fizemos “Morus e seu Carrasco” em 96, me lembro que mesmo com o pé quebrado, não faltava um ensaio se quer e o elenco fazia uma cadeirinha a dois e La subíamos com o Gianni pelas escadas do Teatro Rute Escobar, um dia eu disse ao Gianni que contaria para todo  mundo que já peguei ele no colo, e aqui estou eu contando.Assim como Gianni, a Clara, sabia que não estavam  ali por brincadeira e que teatro, não  é brincadeira, não é modismo, é trabalho, disciplina, responsabilidade acima de tudo, o artista tem que saber o que esta falando, fazendo, se não vira bagunça.

Em 1999, tive o prazer de trabalhar com outro mestre: o diretor José Renato (fundador do Teatro de arena em  São Paulo). O privilegio  de poder estar, mesmo que da coxia, observando, ouvindo, vendo como esses mestres(a) regia sua orquestra, isso é impar, único. É preciso matar o ego, ser humilde, para aprender a observar, ouvir, sentir, respeitar, foi isso que aprendi  e continuo a aprender com meus mestres e meu trabalho!

 

 

 
Palco dos Bonecos      tel: (11) 9706-2124